Mostrar mensagens com a etiqueta A Casa de Bernarda Alba. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta A Casa de Bernarda Alba. Mostrar todas as mensagens

terça-feira, 18 de janeiro de 2011

A Casa de Bernarda Alba - o rescaldo

Foi mais uma peça na minha vida. Desta feita, um grande drama do Garcia Llorca. A minha personagem, a governanta La Poncia, pretendia ser o contraponto da ditadora Bernarda mas sem nunca deixar os seus modos rudes, duros e de alguma maneira pobres.

Foi uma peça muito dura para mim. Desta vez não foi tão fácil nem tão ligeiro como é costume. Foi muito duro para mim conseguir decorar um papel enorme num mês. Foi muito muito duro para mim entrar "a meio" de uma encenação e perder o início - a dramaturgia, os ensaios de leitura, o começo de tudo. Foi muito duro para mim a convivência num grupo que não conhecia. Foi muito duro para mim viver na desorganização e indisciplina sem poder (ou querer) dizer nada. Foi muito duro para mim conseguir conciliar a minha vida profissional, o curso que estou a fazer e esta peça. 

O mais fácil de tudo foi encantar-me com a personagem La Poncia. A composição da personagem deu-me muito gozo. Confesso que, para mim, o mais importante e que dá mais "pica" é mesmo o tempo de estudo e de composição até ao espectáculo, sendo a estreia o ponto alto. Depois disso é só mesmo a decair. 

Gostei muito da encenação e do encenador. É muito bonita a encenação do João Nuno Esteves. Na direcção já não me senti tão bem, nem tão apoiada. Mas talvez assim tivesse sido melhor - tive espaço para criar a minha personagem e imaginar uma La Poncia que me fizesse sentido. Que me lembre nunca vi outra La Poncia, por isso não tenho ponto de comparação, mas talvez tenha sido melhor assim - é a minha personagem e é só minha... pronto!



Muitas vezes me perguntam porque mantenho esta actividade como amadora e porque não tentei ser profissional. Normalmente sorrio e evito a pergunta, porque tenho alguma vergonha na minha resposta. Algumas vezes me passou essa ideia pela cabeça mas sempre a abandonei. Nunca me imaginei a ser uma profissional porque sempre achei que o encanto se iria perder. Sempre pensei que fazê-lo profissionalmente iria ser menos aliciante e tentador e que me daria muito menos gozo. Se tenho que fazer alguma coisa por obrigação, lá se vai metade da piada.

Mas tenho dúvidas sobre isso... mesmo muitas dúvidas. E se tentasse o teatro como profissão? Gosto muito do que faço profissionalmente mas e se gostasse ainda mais de ser actriz profissional? E se não gostasse? E se fosse uma desilusão? E se... ? ? ? ? ? 


Bjs

domingo, 9 de janeiro de 2011

A Casa de Bernarda Alba




No próximo dia 13 de Janeiro estreia A Casa de Bernarda Alba pelo Teatro Som das Letras.

Estará em cena no Teatroesfera em Massamá nos dias 13 , 14 e 15 às 21.30h e no dia 16h às 16h.


Apareçam.





Ver mapa maior

sábado, 13 de novembro de 2010

A Casa de Bernarda Alba




A Casa de Bernarda Alba
Federico Garcia Lorca , 1936

A Casa de Bernarda Alba é uma história trágica e que representa e simboliza a ditadura de Franco em Espanha, regime instituído na altura em que foi escrita.
É a última peça de uma trilogia de dramas do escritor espanhol Federico Garcia Lorca. Escrita em 1936 e seguiu-se a Bodas de Sangue de 1933 e a Yerma de 1934.

Em A casa de Bernarda Alba, seu único texto de teatro escrito em prosa, Lorca recorre ao simbolismo para realizar uma nova investida no teatro. Bernarda Alba, personagem central do texto, é uma matriarca dominadora que mantém as cinco filhas, Angústia, Madalena, Martírio, Amélia e Adela sob vigilância implacável, transformando a casa onde vivem, em um pequeno povoado na Espanha, em um caldeirão de tensões prestes a explodir a qualquer momento.
Com a morte de seu segundo marido, Bernarda decretara um luto de oito anos e submete suas filhas à reclusão dentro das frias paredes de sua casa e das janelas cerradas. Duas das moças, porém, apaixonadas por um mesmo galanteador das redondezas, um rapaz de vinte e cinco anos chamado Pepe Romano, desencadeiam no meio daquele luto uma disputa cruel e perigosa para conquistarem o amor daquele mesmo homem, com conseqüências trágicas.
A construção central do drama de Lorca – a casa na qual uma família de mulheres solitárias é controlada por uma mãe centralizadora e tirânica – teria sido inspirada por uma família da pequena cidade granadina de Valderrubio, onde os pais do poeta tinham uma propriedade rural e conheceram certa Frasquita Alba, mãe de quatro filhas às quais comandava com mão de ferro e um homem de nome Pepe de la Romilla, que teria se casado com a filha mais velha de Frasquita por seu dote e, posteriormente, se envolvido com a mais jovem das irmãs. Dessa história real, Lorca apropriou-se da ideia de uma casa sem homens para compor o tema central de La Casa de Bernarda Alba, qual seja o lugar da mulher na sociedade espanhola. 

Finalizada exactamente trinta dias antes de morrer assassinado, em 19 de agosto de 1936, por forças do governo durante a Guerra Civil Espanhola, A Casa de Bernarda Alba, última peça teatral escrita pelo poeta espanhol, teve sua montagem de estreia apenas em 1945, em Buenos Aires, cidade na qual Lorca passara cinco meses em 1933, e só viria a ser encenada na Espanha no ano de 1964.

Vai agora à cena pelo Teatro Som das Letras no próximo dia 3 de Dezembro!

Bjs