sexta-feira, 22 de outubro de 2010

Maio de 68

Maio de 68 em Portugal
Autora do texto: Eduarda Dionísio

1. Em Portugal, quando se diz «Maio de 68» pensa-se na França, melhor dizendo, Paris, talvez mesmo só Quartier Latin, sinónimo de Sorbonne. No gueto em que vivíamos, a França era o «lá fora» mais conhecido e mais «contactável», via emigração (mais de 300 mil em 1968, o dobro em 1971), exílios, deserções da guerra colonial, e via língua (mais ensinada nas escolas do que hoje) e cultura – da liberdade e da «resistência» na II Guerra Mundial.

2. Quando o(s) Maio(s) eclodiram em vários pontos da Europa (e não só), Portugal era uma ditadura e tinha quase 40% de analfabetos. Havia três cidades com universidades, frequentadas por menos de 0,5% da população. Foi em Setembro desse ano que o poder passou de Salazar para Marcello Caetano. Última fase de uma ditadura a que se chamou «primavera». Mas a polícia política e a censura apenas mudaram de nome e continuámos sem direito de reunião, de manifestação e de greve.

3. Portanto, o «terreno» do(s) Maio(s) não existia em Portugal. E os «mal-estares» mais comuns eram outros. Gerado(s) nas e pelas democracias aqui desconhecidas (e por alguns ambicionadas), esse(s) Maio(s) foram vistos pelos poucos que dele(s) souberam sobretudo como «coisa de outros». «Impossível» aqui. Que estranho ser o «aborrecimento» (como o Le Monde de 30/4/68 sugeria) – e não a fome, a tortura e a censura – a «originar» uma «revolução»!...
Que duvidoso ser uma elite – os estudantes – a desencadear uma «desordem» que faria «o poder cair na rua»! Aqui queria-se simplesmente «mais gente» a estudar, o que quereria dizer «outro regime», e não «outra escola».


4. Seria preciso esperar seis anos para a súbita mudança de regime fazer o país inteiro viver um tempo que teve semelhanças (ampliadas) com as formas de libertação, de desconstrução e construção que o(s) Maio(s) de 68 tinha(m) experimentado (com outras razões e resultados) noutros lugares: perder o medo («ousar lutar, ousar vencer»), tomar o destino nas suas próprias mãos, tomar a palavra e ter voz, ocupar o espaço público (sem o desligar do espaço privado), transformar o quotidiano, inverter as hierarquias, viver a vida com os outro(independentemente da classe social e do sexo). E sem fazer decorrer os gestos do que se tinha lido (ou não) nos livros, sem procurar a «justeza» nas «teorias». Nos tempos que se seguiram ao 25 de Abril de 1974 (pelo menos até 25 de Novembro de 1975), os poucos que tinham vivido o Maio de 68 «lá fora» (e regressado) e aqueles (não muitos) que se tinham entusiasmado por ele (pelas suas práticas e imagens, produtos culturais e artísticos, consequências políticas e sociais), que tinham experimentado um pouco as suas «novidades», as suas «rupturas», tiveram mais «instrumentos» disponíveis para falar, agir e construir do que aqueles que lhe tinham passado ao lado. Mesmo que não se reivindicassem «seguidores» ou «herdeiros» de Maio de 68.
Foi assim que este surpreendente país «a mexer» foi visitado por muitos «soixanthuitards» de várias nações e línguas, «turistas» numa época, em parte sua, com três tempos misturados dentro deles: saudade dum passado em que tinham sido actores, entusiasmo por um presente em que outros o estavam a ser, esperança num futuro em que gostariam de voltar a sê-lo. Houve conversas, trocas. E muitos documentários foram feitos por «esses estrangeiros».
A «participação» e a «autogestão», que pareceriam agora menos contraditórias e menos recuperáveis, foram os dois grandes «centros de interesse».

5. Se 1968 não tinha sido referência nem «lição» para grande parte dos que mudaram a vida em 74-75 – na rua e em casa, nos sindicatos e outras organizações, nas escolas, nas fábricas, nos campos, nas instituições, nas igrejas – com uma determinação, sabedoria e imaginação até ali insuspeitadas, não se pode esquecer que muita coisa tinha mudado, nos movimentos de estudantes e na oposição ao regime, entre duas grandes «crisesestudantis»: a de 1962 e a de 1969, ambas violentamente reprimidas. A luta dos estudantes de 62 foi sobretudo contra um diploma legal que restringia ainda mais a «liberdade dos estudantes» e a «autonomia universitária». Não punha em causa a «Universidade», o «Saber», a «função daEscola», o que aconteceria na luta de 69. Iniciada em Coimbra, quase um ano depois de Maio de 68, arranca
com a tentativa de o presidente da Associação dos Estudantes «tomar a palavra» numa cerimónia presidida pelo Presidente da República. O discurso dos estudantes não era admitido. Foi preciso forçar a entrada.Do «protesto» ia-se passando à «contestação». Em Coimbra, um dos grupos de 69 chamava-se, aliás, «os contestas»…
Será arriscado dizer que esta «crise» foi uma «repercussão» de Maio de 68. Mas em 69, pelo menos nas universidades, aumentou a discussão nos grupos e entre grupos, a decisão no local, as «ocupações» dos lugares, e até o humor. Mudaram assuntos, autores de referência (Gramsci, Reich, Gorz, Poulantzas…), formas de expressão e de organização, em que as «bases» contavam. Entretanto, tinha havido Praga.
Também a composição da oposição à ditadura era outra a partir de meados da década de 60, sobretudo entre osestudantes. Tinham surgido vários pequenos movimentos maoistas, trotskistas, católicos, e sem «identificação» no nome, com práticas e discursos bem distintos do até então hegemónico «centralismo democrático» do PCP. A greve da Carris de 68 (uma excepção, claro) uns anos antes também não podia ter sido a que foi: os autocarros e eléctricos circulavam, mas sem cobrar bilhetes. E se não se tratou, na campanha eleitoral de Outubro de 69, de «ser realista, pedindo o impossível», falou-se em «fazer recuar a fronteira do possível».

6. Nos primeiro anos 70 foi marcante o movimento «Todo o poder aos cursos», em oposição à pesada, controlada e controlável estrutura associativa tradicional: sistemática «crítica do saber» e da «função social da escola», ocupação com «cursos livres» das faculdades paralisadas. E houve os NEIP (Núcleos de Estudantes de Intervenção Política) que não pertenciam a qualquer partido e que iriam dar em 74 ao MES (Movimento de Esquerda Socialista).
No Sindicato dos Professores, nascido do 25 de Abril, uma corrente heterogénea punha em causa a escola e lutava pela «autonomia» e «ligação ao meio»: «Pelo poder das escolas» obteve, na Grande Lisboa, 35% de votos em 74, quando, em muitos sindicatos, o PC parecia «intocável». Corrente herdeira de «aprendizagens estudantis» pós-68, mais do que do «anarco-sindicalismo» que a ditadura e o PC tinham destruído há muito tempo.

7. Quarenta anos depois, ninguém dirá que vários governantes, deputados e destacados dirigentes partidários foram os que imaginaram e fizeram estas lutas, passadas e apagadas, e que o autor e apresentador (na televisão pública) de um programa semanal, que se diz «de História», foi o Ministro da Educação que as reprimiu em 1969.


Portugal - Eurovisão - 1967

1967
Canção: O vento mudou
Intérprete: Eduardo Nascimento



Canção ganhadora

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Portugal - Eurovisão - 1965

1965
Canção: Sol de Inverno
Intérprete: Simone de Oliveira


Canção ganhadora

Portugal - Eurovisão - 1966

1966
Canção: Ele e Ela
Intérprete: Madalena Iglésias



Canção ganhadora

Portugal - Eurovisão - 1964

1964
Canção: Oração
Intérprete: António Calvário





Canção ganhadora

 Italy"Non ho l'età"Gigliola Cinquetti


Portugal e a Eurovisão

Tenho andado a divertir-me no Facebook a postar as músicas que representaram Portugal no Eurofestival.
Fui muito bem lembrada pela Joana Lopes que era mais efectivo colocá-las aqui. Ora, como adoro colecções, vou começar mais esta. No entanto não vou deixar de o fazer no Facebook porque estou a adorar os comentários... :-)

terça-feira, 19 de outubro de 2010

Ontem escrevi ao Cavaco...



... mandei-lhe uma carta por mail sem perfume... 


Lisboa, 18 de Outubro de 2010

Excelentíssimo Senhor Presidente da República,

No dia 23 de Dezembro próximo cumpre 100 anos o cidadão António Gomes da Silva.

O tio António vive em Vale do Pereiro, uma aldeia do distrito de Évora, concelho de Arraiolos, freguesia de Santa Justa.

A vida do tio António tem sido de trabalho e de entrega. Foi presidente da Junta de Freguesia, esteve no processo de edificação da Sociedade Recreativa de Vale do Pereiro, da Igreja local, no apoio ao Centro de Apoio a Idosos entre muitas outras actividades. A Câmara Municipal de Arraiolos, reconhecendo o seu contributo para a vida pública, entregou-lhe uma Medalha de Mérito. E a população da aldeia afirma a consideração pelo “Mestre” continuando a retribuir-lhe o seu afecto.

O tio António mantém uma grande lucidez e uma alta estima e consideração pela figura do Excelentíssimo Senhor Presidente da República.

A família está a preparar uma pequena surpresa na Sociedade Recreativa de Vale do Pereiro, incluindo um filme em que os inúmeros amigos e família dão o seu testemunho com uma mensagem de parabéns.

Serve esta missiva para saber da disponibilidade do Excelentíssimo Senhor Presidente da Republica em poder contribuir com uma mensagem de parabéns, da forma que achar mais viável e adequada, contribuindo para que este centenário seja para o tio António a exultação dos próximos anos que virão.


Atenciosamente (a representar a família),
Paula ... Calhau Silvestre


E pronto... esperando pela resposta...

Acham que devo sentar-me ?

Bjs

domingo, 17 de outubro de 2010

sábado, 16 de outubro de 2010

E depois das compras...

...dá-me cá um remorso...
Para que foi que comprei aquela camisola tãoooo gira? E para que quero eu uma TV? Ainda por cima enorme...
Devia ter estado quietinha. Ah pois é!



Bjs

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Há dias assim...

Às vezes há dias tramados em que só me apetece dizer baboseiras e ser frívola e banal. 
Hoje é um desses dias. 
Quero lá saber da crise; quero lá saber da cimeira da Nato; quero lá saber do Sócrates; quero lá saber se o Sporting está a perder; quero lá saber ... 
Apetece-me agarrar nos meus euritos e ir às compras. Não tenho nada para comprar que realmente necessite, mas estou em crer que vai aparecer qualquer coisa. Ó lá se vai.




Não gosto nada de comprar on-line porque me tira o gosto de andar às voltas em centros comerciais ou na Baixa a procurar algo que não preciso. Eu não sei o que quero comprar mas assim que lhe colocar a vista em cima vou dizer logo: "É isto mesmo. O que eu precisava disto!!".


Bjs