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quarta-feira, 1 de janeiro de 2025

E se eu morrer amanhã - 2024

 

 


Helena é uma viúva de 79 anos, aparentemente pacata. Vive com o gato num apartamento, independente dos filhos e netos adultos, gozando de ótima saúde física e mental. Até ao dia em que, por acidente, pega fogo à sala de estar.

Obrigada a mudar-se para casa da filha, que começa a questionar a sua sanidade, acaba por revelar um segredo que deixará toda a família boquiaberta: afinal, tem uma vida sexual ativa. Muito ativa.

A partir desta confidência, Helena conta-nos as suas aventuras amorosas e o lema de vida que adotou desde a morte do marido, com quem partilhou mais de quatro décadas de descontentamento.

Este livro foi o primeiro de 2024 que realmente me "encheu as medidas".
Desconhecia a autora e o título, embora sugestivo, pareceu-me um pouco "demais" para o meu estado de espirito. 
Valeu a pena!
 
É uma leitura leve e divertida num tema que não é geralmente abordado - a sexualidade depois dos 70.
Helena, a protagonista, após a viuvez de um casamento de muitos anos, descobre a sexualidade e o prazer.
Escrito de uma forma muito simples é um tema nada nada simples.

À medida que me ia divertindo a ler o livro, imaginava-me a Helena. Não é costume visualizar-me nas personagens, mas desta vez aconteceu.
EU QUERO ser a Helena.

Não percam!
 

sexta-feira, 22 de dezembro de 2023

Morreste-me - 2023

 

"Morreste-me, texto que deu a conhecer o jovem escritor José Luís Peixoto, é uma obra intensa, avassaladora e comovente: é o relato da morte do pai, o relato do luto, e ao mesmo tempo uma homenagem, uma memória redentora.
Um livro de culto há muito tempo indisponível no mercado português. "


O José Luís Peixoto é dos meus autores portugueses favoritos. Nesta "nova" leva de autores, sobressai. Escreve bem; os temas são-me normalmente muito especiais; respira Alentejo...

Tenho lido quase tudo dele. Este livro estave na minha mesa de cabeceira ANOS. Porque nunca achei que estivesse preparada para o ler. Todos os dias olhava para ele, e todos os dias não tinha a coragem de lhe pegar!

Foi este verão!

Muito comovente e muito  intenso para mim.

Não consegui ler de uma vez, embora seja um livro relativamente pequeno. Foi-me dificil digerir tudo o que lia.

Mas valeu a pena. Tenho a certeza que daqui a uns anos o vou reler!



domingo, 17 de dezembro de 2023

Pequenas Coisas como Estas - 2023

 

"Estamos em 1985, numa pequena cidade irlandesa. A autora narra-nos a vida de Bill Furlong, um comerciante de carvão e pai de família. Uma manhã, ainda muito cedo, quando vai entregar uma encomenda no convento local, Bill faz uma descoberta que o leva a confrontar-se com o passado e os complicados silêncios de uma povoação controlada pela Igreja."

 

Depois de ler "Acolher", resolvi ler este livro da irlandesa Claire Keegan.

Consegue-se perceber que foi escrito por ela. Também este livro "respira" simplicidade. Também neste livro a autora não tem palavras supérfulas. Também neste livro tudo é elegante. 

É assim que vejo e sinto a "Literatura".

Estou mesmo fã desta autora. 

sexta-feira, 15 de dezembro de 2023

Acolher - 2023

 

"Uma menina vai viver com pais adotivos numa quinta na zona rural da Irlanda sem saber quando regressará. Numa casa desconhecida, de gente estranha, encontra um calor e uma afeição que não sabia existirem e começa lentamente a florescer. Até que a revelação de um segredo a faz compreender a fragilidade da sua vida."

 

Deconhecia esta escritora irlandesa - Claire Keegan. "Encontrei-a" por acaso e, como a maioria dos acasos, foi surpreendente.

Um livro magnifico, genial mesmo. Parece tão simples, mas é tão intenso e tão bonito, que me deixou boquiaberta.

Não se deixem iludir pela simplicidade da história que Claire Keegan conta. Parece simples, parece fácil, mas afinal não é! Até os silêncios são lindos!

A D O R E I !!!!!

Pena apenas ter dois livros editados em Portugal :-(

 

quinta-feira, 14 de dezembro de 2023

Amor, Curiosidade, Prozac e Dúvidas - 2023

 


"Cristina, Ana e Rosa são irmãs. Cristina é a mais sensual. Embora dinâmica e extrovertida, vive atormentada pelo vazio emocional da sua vida. Ana é uma fada do lar, que vive deprimida sem causa aparente, tomando Prozac para dormir e anfetaminas para acordar. E Rosa, uma elegante executiva de sucesso, sem vida própria a não ser o trabalho. Com um estilo pessoalíssimo, pleno de ambivalências na linguagem do quotidiano, Amor, Curiosidade, Prozac e Dúvidas fala sobre as mulheres dos anos 90. As histórias de Cristina, Ana e Rosa reflectem os problemas e os conflitos de três diferentes tipos de mulheres que, por mais estranho que possa parecer, representam uma só coisa: vidas incompletas. Lúcia Etxebarría concebeu um romance sobre a dura busca da identidade feminina à margem das convenções, assumindo-se como uma crítica aberta contra os estereótipos femininos."

 

Adorei este livro da Lúcia Etxebarría, uma valenciana de origem basca que eu desconhecia e que me fez querer ler mais coisas.

Tem um estilo que gosto - directa ao ponto, sem rodriguinhos. Uma "voz" que apreciei. Uma "voz" irreverente e sem retoques.

Neste livro mostra o quanto as mulheres, apesar de todas as conquistas,  ainda enfrentam uma catrefada de convenções absurdas e ultrapassadas.

 
 

quarta-feira, 23 de setembro de 2015

MMXV - Dia 266 (O centenário que fugiu pela janela e desapareceu)



Que livro tão divertido! 
No dia em que completa 100 anos Allan decide que não quer morrer no Lar e resolve fugir para uma aventura divertidamente absurda! A personagem Allan é ternurenta e simpática, mas qualquer uma das outras não lhe fica atrás. Gostei imenso das personagens que o autor sueco Jonas Jonasson inventou. 
E o mais espantoso, para além da aventura centenária, é a história de vida do velhinho. Ao longo do livro o autor cruza a história actual com a história da vida de Allan que... correu Mundo, conheceu presidentes, lideres que mudaram o planeta: Franco, Truman, Estaline, Mao Tsé-Tung, Curchill...
Bom, historicamente não será muito fiel, mas que a história agarra e que está muito bem escrita, lá isso está.

Recomendo vivamente!

sexta-feira, 7 de dezembro de 2012

Jesus Cristo bebia cerveja - o melhor de 2012

Sou grande apreciadora de literatura nacional. Gosto de clássicos e sou fã incondicional de Mário de Carvalho e de Lobo Antunes. Tenho as minhas birras e antipatias, em especial por Saramago. Normal!

Dediquei-me ultimamente à chamada "nova geração" de escritores portugueses. Li recentemente Valter Hugo Mãe, Gonçalo M Tavares, José Luis Peixoto, Raquel Ochoa e Afonso Cruz. A normalidade continua... amores e ódios imediatos. Gostei de ler e conhecer a Raquel; odiei imediatamente Gonçalo M Tavares (não consigo sinceramente perceber o que vêem nos seus livros); gostei muito de Valter Hugo Mãe e José Luis Peixoto e... ADOREI Afonso Cruz. Foi imediato!

O "Jesus Cristo bebia cerveja" é um milagre! Fantástica a imensa imaginação deste autor. Fiquei extasiada com a história, as personagens e os pequenos pormenores ao longo do livro. A história da alentejana Rosa é o mote do livro, ou talvez não. Foi impressionante o quanto me perdi de rir com alguns factos e personagens, todas elas muito bem caracterizadas e descritas. Todas elas fazem sentido e todas elas fazem falta ao livro. São tão boas que doem. Fiquei fã do Padre Teves e das suas chibatadas :-)
Outra coisa que me deixou agarradinha ao livro foi o sabor e sentir alentejano que há nele. O Alentejo está em todo o livro, sem estar descrito explicitamente. O "meu" Alentejo vive neste livro, nas expressões, nas personagens, em pequenos gestos, em tudo tudo. E o mais curioso é que não é sobre o Alentejo... ou será que é?
A tragédia e o cómico inundam o livro junto com a consciência politica e a contemplação. Como é possível juntar tudo no mesmo livro? Estou cheia de inveja do Afonso Cruz que escreve coisas fantásticas de um modo soberbo. 

Algumas passagens são encantadoras:

"As flores do campo são baratas, as das lojas são excêntricas, caras. Mas menos felizes, pois vivem em vasos."

"De cada vez que deixamos de ser percebidos, morremos."

"Gosta da música, que é a mesma coisa que ouvir geometria."

"A sabedoria vem com a idade, com a velhice, e suspeito que nos come os órgãos pois quanto mais sabemos das coisas, mais o fígado se queixa, mais os rins têm insuficiência, mais o coração pára. A sabedoria come tudo."

"A dentadura dentro do copo de água mostra o trabalho da morte, como ele é contínuo e não algo que acontece de repente. Os dentes já morreram todos, diz o copo de água com um sorriso lá dentro."


Brilhante livro! 5*****
Afonso Cruz já está na minha lista de "A NÃO PERDER NUNCA"

http://afonso-cruz.blogspot.pt/

domingo, 15 de janeiro de 2012

O(s) livros(s) que mais gostei de ler em 2011

Porque ainda é Janeiro, mês de rescaldo e de introspecção do ano anterior, estive a pensar qual o livro que me encantou em 2011. A escolha foi um pouco dificil, mas decidi-me pela Trilogia Millenium. E elegi os três porque me parecem ser só 1. 


Sou grande apreciadora de policiais. É um género que gosto e que tento ler sempre que posso. Ultimamente surpreendi-me com autores nórdicos - Asa Larsson , Henning Mankell, Camilla Lackberg, Jo Nesbo ou Lars Kepler. Por isso resolvi "investir" na leitura de outro autor completamente desconhecido para mim - Stieg Larsson. E em boa hora.
Estes livros são, de alguma maneira, diferentes. Fogem aos estereótipos do género e são muito interessantes de ler. A escrita é viciante. Comecei a ler e tive muita dificuldade em parar. Li os 3 livros, de cerca de 500 a 600 páginas cada, em 3 semanas de Agosto. A caracterização das personagens, a minucia , o detalhe e a lentidão da acção é absolutamente cativante e motivadora. Nada está fora do sitio, nada aparece "a martelo", não há lugares comuns, tudo faz sentido. A linha e a história é continuada nos 3 livros, mas apesar disso conseguem-se ler os livros sem ser em sequência. Isto foi o que mais me impressionou. Por acaso li pela ordem de publicação, mas se não o tivesse feito conseguiria perceber e enquadrar-me na história da mesma maneira e sem perder o interesse.
Não conhecia Stieg Larsson e quando fui procurar referências percebi porquê. Era um amador! Escreveu a trilogia para se distrair das suas actividades na revista Expo de investigação de actividades da extra-direita escandinava e de denúncia do racismo. Para se divertir. E, talvez por isso, os livros são fantásticos. Talvez porque o objectivo do autor tenha sido a diversão nas horas vagas, os livros me tenham  divertido e distraído mas minha hora vagas.
Outra razão para ter gostado tanto, talvez tenha sido também o tema, para mim, a violência sobre as mulheres. O livro descreve uma sociedade bastante cruel e violenta com as mulheres. Violência física, psicológica e acima de tudo social. O facto de Larsson ter "trocado" as personalidades dos heróis é genial.  Os papéis estão invertidos; Mikael Blomkvist é o pachorrento seduzido e Lisbeth Salander tem todas as características "tipicamente" consideradas masculinas.

Vi a trilogia sueca filmada. 


Como habitualmente me acontece, penso que os filmes estão muito aquém dos livros. São bons, mas não conseguem retratar o melhor destes livros. Mas o fundamental está lá!




E como terá feito Hollywood? Vai estrear o 1º filme! Só espero que não tenham feito um filme de acção e que se tenham mantido fieis à lenta e cativante narrativa dos livros. Vamos ver!

quinta-feira, 10 de março de 2011

Cavalos Roubados - o melhor livro que li em 2010

Hoje, a propósito de uma conversa com a Ana Gualberto decidi-me a escrever sobre o livro que mais me entusiasmou em 2010. Não é uma critica literária, até porque não sei fazer isso, mas sim um desabafo sobre este livro.
Comecemos pelos factos... entrei numa livraria à qual não vou fazer publicidade porque não me paga para isso e vi este livro. Chamou-me a atenção o facto de não ter artigo no título; não é "Os Cavalos Roubados" mas sim "Cavalos Roubados". Parece idiota (e provavelmente até é), mas a ausência do "Os" fez-me comprar o livro. Isso, claro, e o facto do autor ser norueguês. Pela primeira vez iria ler um livro de um autor da Noruega, País que não conheço mas que imagino fabuloso para viver.

Quando no meu Clube de Leitura, chegou a minha vez de escolher, não hesitei - "Cavalos Roubados". A leitura programava-se para o mês de Dezembro, que é sempre um mês complicado pois, para além do Natal, havia uma festa de um centenário para preparar. Com pouco tempo comecei a temer o pior - que iria odiar o livro.

Pois foi exactamente o contrário. Com muito pouco tempo para dedicar à leitura, tive que saborear cada um dos momentos lindos do livro rapidamente. 
Que livro fabuloso. A métrica e a cadência do livro é magnífica. E é um livro de uma escrita tão simples. O livro não tem pensamentos fabulosos, nem histórias violentas nem nada do que é habitual encontrar. É simples e de uma escrita que parece também muito simples. Fiquei fã do autor, pena é que só tenha este livro traduzido para Português. A métrica, isto é, o modo como ele utiliza a narrativa e que vai mudando e aumentando de ritmo na mudança de época à medida que o livro avança é girissimo. No inicio a mudança de época (sim, a história de Trond é contada a 2 tempos - na sua adolescencia e na sua velhice) é feita em cada capitulo, depois é quase metade-metade e, para o fim, é quase palavra a palavra. Mas sem qualquer complicação, como se tudo fosse natural e muito simples!!!!

Um homem que se encontra ao reencontrar-se com o passado. Lindo! Fez-me querer muito ir passear nas florestas da Noruega.

Muito bom - Nota 5!

Bjs,
Paula



Na Oficina do Livro diz-se o seguinte:




terça-feira, 14 de dezembro de 2010

Um grito de amor desde o centro do Mundo

Neste espaço, que começou por acaso e com um empurrãozinho da Joana Lopes, resolvi escrever o que me apetecesse sobre o que me apetecesse.

E agora, hoje, neste momento, apetece-me escrever sobre este livro. 

E porquê especificamente este? Não é (de todo) um livro particularmente bem escrito ; não é uma história muito original ; o tema não é dos que mais me interessam ; não é um clássico ou mesmo um dos livros que figuram nas famosas listas de Top100 ou Top1001.
No entanto é um dos livros que li ultimamente que mais me tocou. Pela aparente simplicidade da escrita, da história e mesmo das personagens. É um romance para ler devagar e apreciar cada momento. É sobre o Amor ! E que difícil é escrever sobre o Amor! E que difícil é ler sobre o Amor !

A doçura e nostalgia do amor de anos e anos de dois adolescentes faz-nos sorrir e nem o final trágico nos tira esse sorriso da cara !

É por existirem livros destes que vou continuar a ler até que um dia me deixe de apetecer. Mas... acho que vai ser difícil ver chegar esse dia!